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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Uniso promove InterAção Mulher

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O I Encontro InterAção Mulher tem início, nesta terça-feira, 11, às 19h30, no Auditório do Bloco C, no Campus Cidade Universitária, na Universidade de Sorocaba, com um debate sobre o papel da mulher na sociedade. Para o idealizador do evento, o professor Argemiro Souza, e a coordenadora, professora Mariana Domitila, a proposta tem por objetivo desenvolver a reflexão e orientação sobre as temáticas e tendências relacionadas ao empoderamento feminino e a participação mais ativa e empreendedora das mulheres nos diversos segmentos, seja industrial, comercial ou social.
A ação nasceu da vontade do professor Argemiro Souza de fazer um evento que promovesse a conscientização sobre o papel que a mulher está ganhando na sociedade. E, lapidando a ideia, juntamente com a professora Mariana Domitila, o projeto ganhou nova forma e diversas frentes para que tenha cada vez mais força. Ele contará com palestras, workshops, cursos livres, feiras de negócio, processo de Coaching e PNL para mulheres, assim como projetos assistenciais e grupos de estudo.
 A professora explica que o InterAção Mulher, além de ser importante para a comunidade, também é uma satisfação pessoal, já que o assunto sempre despertou seu interesse. “Eu sempre estudei sobre isso, pois sou uma mulher e já sofri muito preconceito. A ação vem para nos inserir na sociedade, não apenas nos encaixar em estereótipos”, conta.
Segundo uma pesquisa realizada em 2015 pelo Sebrae, em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a pedido do Anuário das Mulheres Empreendedoras e Trabalhadoras em Micro e Pequenas Empresas, em 10 anos, as mulheres tiveram um aumento de 19% de empreendimentos próprios, que foi 16% maior que o dos homens, que tiveram um aumento de apenas 3%.
Isso mostra que as mulheres estão, aos poucos, conquistando um espaço maior como empreendedoras, que, historicamente, lhes era negado. Isso é o que afirma a historiadora Letícia Nunes de Moraes, já que, segundo ela, a busca das mulheres pela independência começou muito antes do direito ao trabalho assalariado. “A primeira luta das mulheres, ou do próprio feminismo, traz como tema o sufrágio, na qual as mulheres lutaram para que pudessem votar. A segunda onda é a que luta pelo direito ao próprio corpo. A terceira fase é essa que vivemos, que revê e conserva os direitos já conquistados”, explica.
Esse espaço feminino cresceu tanto que, segundo dados levantados pelo professor Argemiro Souza, para a realização do projeto, a própria Universidade de Sorocaba, que sediará o evento, tem mais mulheres que homens entre seus alunos.
Mariana diz que o evento não é só para mulheres, já que os homens devem se conscientizar do poder e espaço que as mulheres vêm ganhando na sociedade, e que os negócios não são mais exclusivamente masculinos.
Como é o caso de Fátima de Oliveira, 47, que é uma microempreendedora desde 2008. Fátima conta que deixou a empresa que trabalhava depois que seu filho caçula começou a apresentar problemas de saúde por conta do dia agitado dela. A empreendedora faz parte de uma significativa quantidade de mulheres que deixam seus empregos para se dedicarem à maternidade.
De acordo com estudo realizado em 2016, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 23% das mulheres abandonam seus empregos formais para cuidar de seus filhos. Esse, de acordo com o estudo, é o maior motivo da saída de mulheres das empresas, situação totalmente diferente da dos homens, já que o maior motivo de desistência do trabalho em empresas é o baixo salário, sendo 32%.
Fátima, para não depender totalmente da renda do marido, começou a produzir sorvetes caseiros para vender em casa. “Desenvolvi uma receita e, em pouco tempo, já estava famosa com eles”, afirma.
Ela conta que, quando o negócio começou a ganhar força, ela investiu e hoje tem uma pequena loja, que vende o seu tradicional sorvete e também outras guloseimas. E, quando questionada sobre planos futuros, Fátima afirma que esse é só o começo. “Eu quero aumentar a loja, investir em divulgação e crescer cada vez mais”.
O InterAção Mulher, que tem planos para encontros semestrais, conta com um grande apoio por parte de alunos e alunas da universidade. Como é o caso da estudante de Relações Públicas, Laura Miyr, 20, que é uma ativista feminista. Ela afirma que o InterAção Mulher pode ajudar a esclarecer muitas coisas sobre os novos rumos da mulher em sociedade. “As coisas sempre foram decididas para a gente, não tínhamos o poder de escolha, mas esse quadro começa mudar e nós precisamos saber, os homens também”, acrescenta.
Laura diz que nisso vê a oportunidade de uma mudança radical de comportamentos e costumes da sociedade, que é patriarcal. “Minha filha saberá que é livre, aliás, sentirá que é livre, bem mais que eu senti e sinto”, comenta.
Mas, embora o quadro tenha mudado e esteja mudando, a historiadora Letícia Nunes explica que ainda estamos longe de uma sociedade igualitária. “Nossa independência é limitada por estereótipos que nos vendem. Homens e mulheres ainda acreditam que as mulheres devem estar desejáveis para homens, outro conceito que precisamos mudar. A liberdade total está agora não mais na mão dos homens, mas na mão de homens através da ditadura da beleza e juventude”, explica.


Mas Mariana Domitila está confiante de que, aos poucos, as mulheres vão ganhar seu lugar ao sol e viver no lugar que sempre foi delas. “Muitas mulheres são como pássaros em gaiolas. Elas nasceram daquela situação e nunca souberam usar suas asas, mas elas as têm, são fortes e podem levá-las para todos os lados. É isso que o projeto quer, que essas mulheres saiam de suas gaiolas e voem, voem com as asas que ninguém as deu, mas que sempre tiveram e que, finalmente, possam usar e mostrar que também sabem voar”, finaliza.

Texto: Lauren Oliveiro (AgênciaJor/Uniso)
Fotos: Divulgação


Confira programação:



Mariana Domitila –
Publicitária e jornalista. TrainerTraining e Master Practitioner em PNL e Master Coache
Palestra: Life Coaching: como empoderare elevar a autoestima da mulher









Graciane Leite
Administradora e Especialista em Marketing.  Fundadora da MarkeTÁ
Palestra: Ideias de Negócios para Empreender em Casa
Apresentação Cultural













Bárbara Pistila

Cantora, violonista e compositora

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

'Setembro Azul' na Uniso marcou Dia Nacional do Surdo

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Alunos de Pedagogia e o painel produzido para o Setembro Azul
Setembro começou nublado. De alguma maneira, simbolizando a nuvem de dúvidas e incertezas que ainda rodeiam os surdos. O azul límpido, o azul que os representa, só surgiu depois, com o sol, que finalmente mostrou que eles existem e que têm muitas coisas a dizer. Pensando nisso, a professora Maria Ângela de Oliveira, que ministra a disciplina de Língua Brasileira de Sinais (Libras), na Universidade de Sorocaba, reuniu alunos de nove cursos, - Jornalismo, Comércio Exterior, Dança, Música, Teatro, Artes Visuais, História, Enfermagem e Pedagogia -, para uma grande ação, o “Setembro Azul”, que marca do Dia Nacional do Surdo, em 26 de setembro, e o Dia Internacional do Surdo, no próximo dia 30.
O projeto, inspirado e coordenado pela professora, visa ampliar a visibilidade dos surdos na sociedade, usando as áreas de conhecimento de cada um dos cursos. Para a professora, o projeto tem algo bem mais pessoal, já que sua trajetória com a surdez começou em 2006. "A primeira surda que cruzou meu caminho foi uma moça chamada Josiane. Eu a conheci na catequese e queria ajudá-la a levar uma vida normal”, conta. Ela diz que para isso lhe ensinou a usar um computador e a fazer o currículo, até que a moça conseguiu um emprego.
Graduada em Matemática e pós-graduada em Libras, a professora Maria Ângela afirma que a oportunidade de preparar futuros profissionais de diversas áreas para se comunicarem com os surdos na sociedade é mais que um desafio, pois ainda há muitos problemas para a comunidade surda quanto à comunicação com as pessoas ouvintes. A preocupação da professora se justifica pela falta de uma educação inclusiva, principalmente, quanto ao ensino de Libras nas escolas, instituições de educação superior e mesmo nas empresas e órgãos públicos, já que 5,1% da população brasileira apresenta algum grau de surdez, chegando a 9,7 milhões de brasileiros, segundos dados do IBGE.
União Azul - A cor azul simbolizando o surdo surgiu na Segunda Guerra Mundial, já que os nazistas colocavam uma faixa desta cor no braço dos deficientes para que fossem mortos. Com o passar do tempo, a comunidade surda adotou a cor como sua, mas em tom mais vivo, azul turquesa, que traz uma vivacidade maior.
Para uma comunicação melhor com os surdos, e com um “empurrãozinho” de Maria Ângela, cerca de 200 alunos agora olham para os surdos de uma nova maneira. O projeto “Setembro Azul”, chamado pela professora de “União Azul”, ganhou vida de diversas formas. O curso de Dança desenvolveu uma coreografia apresentada, durante o mês, em um flash mob, que é uma aglomeração instantânea de pessoas em um local público para realizar uma ação inusitada, que foi previamente combinada.
Para a estudante Giovana Cavalcanti Fogaça, 26, do curso de Dança, a maior surpresa veio ao perceber que a dança e a língua de sinais tinham uma semelhança que nunca tinha notado. "A Dança e a Libras estão mais próximas do que imaginamos, pois ambas se utilizam dos gestos e movimentos como instrumento de comunicação e expressão", afirma. Ela diz que a coreografia foi feita por toda a classe, cada movimento foi pensado e que todo mundo tem sua identidade no resultado final.
Já os estudantes de Música organizaram três canções, Jota Quest – “Dias Melhores”, Tim Maia – “Que beleza” e Banda Mais Bonita da Cidade, com a música “Oração”. Eles ensaiaram em Libras e todas as letras falam sobre amor e aceitação. “Dias Melhores diz muito sobre os surdos, já que eles ainda terão dias melhores em sociedade”, pontua Maria Ângela.

Mauro Tanaka, 42, aluno de Música, diz que a proposta comoveu toda a sala e usar a arte em favor de uma causa tão nobre chega a deixá-lo emocionado. "Ela nos conscientizou da data e da importância que isso tem no meio educacional. E nós, como futuros professores, precisamos entender a importância de todos os nossos futuros alunos", conta.
Mauro diz que, além de se conscientizar para o futuro, a iniciativa fez com que ele se lembrasse do primeiro episódio que viveu com a surdez. “Quando eu tinha 16 anos, estava no colegial e em minha escola tinha uma unidade que atendia surdos. Um dia, eu já músico, fui convidado para tocar para eles. Achei estranho o convite, mas aceitei", relembra. Ele conta que quando começou a tocar, percebeu que eles, embora não ouvissem, sentiam a música. “Eles tinham uma sensação sonora a partir da vibração que o violão fazia. Estavam emocionados com uma música que toquei, nunca esqueci”.
Alunos espalharam maões azuis pelo campus da universidade
Os alunos de Jornalismo, além de divulgar as ações dos outros cursos e imagens nas redes sociais, ainda promovem pequenas ações na Cidade Universitária, como a entrega de mãos azuis, com mensagens para a conscientização das pessoas ouvintes. Segundo Luiz Fernando Moura, estudante de Jornalismo, o projeto todo já o modificou, pois hoje já consegue ver surdos que antes não notava. “Fez muita diferença para mim, sempre quis entender e interagir com eles, mas agora eu posso”, afirma.
Outras ações envolveram a produção de vídeos sobre a história da Libras, produzidos pelos alunos de História; um painel com mãos formando a natureza, produzido pelo curso de Pedagogia; uma cena de conscientização feita pelo curso de Teatro; vídeos com explicações de algumas doenças que podem levar à surdez, produzidos pelo curso de Enfermagem. Comércio Exterior participou com uma ilustração sobre como um surdo deve se comportar na entrevista de emprego, e Artes Visuais criou as artes do “Setembro Azul”. Os trabalhos podem ser conferidos pelo endereço http://librasuniso.blogspot.com.br/p/setembro-azul.html.
O projeto já está conhecido pela comunidade surda na região e esse é um grande motivo de orgulho para a professora. Quando questionada se imaginava tudo isso, Maria Ângela diz que hoje o projeto significa tudo para ela e que nunca pensou que fosse se tornar algo tão grande. “Como uma pessoa que acredita nos surdos desde 2006, era isso que eu queria, meu coração pula de alegria em cada ação dos meus alunos, em cada brilho no olhar de cada surdo ao chegar diante de 200 alunos, futuros profissionais, que vão os entender e respeitar”, conclui.


Texto: Lauren Olivieiro (AgênciaJor/Uniso) 
Fotos: Maria Ângela 

sábado, 18 de maio de 2013

JIU-JITSU
A suave arte marcial

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Esqueça a ideia popular de que o mais forte levará sempre vantagem sobre o mais fraco em um embate físico. O jiu-jitsu (do japonês jū, "suavidade", e jutsu, "arte”) dispensa o uso exclusivo de músculos e busca através da técnica reverter o estigma de que o brutamonte fará “picadinho” do, digamos, mais mirrado. Porém, é fundamental ressaltar que o objetivo da arte não é estimular a violência gratuita entre seus adeptos. Pelo contrário.

Praticado por monges budistas na Índia, país em especula-se que a arte tenha germinado, eles desenvolveram uma técnica baseada nos princípios do equilíbrio, do sistema de articulação do corpo e das alavancas, evitando assim o emprego da força desmedida e de armas em batalhas. A preocupação era a autodefesa, não ferir o oponente desnecessariamente.

Filosofia - “Aprendi que fortes e fracos vivem num mundo onde todos têm chance de vencer e que, antes de tudo, deve haver lealdade e respeito ao seu adversário.” A fala é de Murillo Gracia, praticante da arte marcial que enaltece sua filosofia como um ensinamento extremamente importante, tanto quanto a parte técnica e prática.

Prestes a ganhar sua graduação em faixa preta, o professor de educação física e jiu-jitsu, Carlos Monteiro, comenta sobre o que aprendeu de mais importante: “Aprendi a ter disciplina, mais humildade, hierarquia e muito respeito pelo adversário”.

História - Com a expansão do budismo, o jiu-jitsu percorreu o sudeste asiático, a China, e chegou ao Japão, onde se desenvolveu e se tornou popular. A partir do final do século XIX, alguns mestres de jiu-jitsu migraram do Japão para outros continentes, vivendo do ensino da arte marcial e das lutas que promoviam.

Maeda Koma, mais conhecido como Conde Koma, foi um desses mestres. Após fazer viagens ensinando e lutando pelo Europa, ele chegou ao Brasil em 1915 onde conheceu Gastão Gracie, que levou seu filho mais velho Carlos para conhecer o mestre e sua luta. Anos mais tarde, Carlos Gracie se tornou profissional e abriu a primeira academia da arte no Brasil, a Academia Gracie de Jiu Jitsu.

Evolução - Assim como outras artes marciais, o jiu-jitsu tem sua própria graduação e critérios para mudança de faixa. O processo, dependendo da intensidade dos treinos, costuma demorar anos.

Todos os iniciantes começam com a faixa branca. Na sequência vem a azul, a roxa, a marrom e, finalmente, a tão almejada faixa preta. A paciência é, portanto, uma virtude indispensável para quem pretende ingressar no esporte.

Mas a luta, além de todos os benefícios supracitados, atua também como um poderoso antiestressante: “Acredito que se não praticasse o jiu- jitsu ficaria maluco com tantas coisas do dia-a-dia. Quando entro no tatame, tudo o que acontece no mundo fica do lado de fora”, comenta Bruno Kuwabara, que além de “limpar a mente”, como ele mesmo diz, ainda emagreceu muito com a luta: “Uma das melhores decisões que tomei, com certeza. Treino há dois anos e emagreci 24 quilos com a ajuda do Jiu.”

E não é só no Brasil que o esporte se tornou bastante popular e difundido. É o que conta entusiasmado o praticante Raphael Santos, que quando saiu do país rumo à Irlanda não imaginava que conheceria em solo estrangeiro tantos outros aficionados pelo esporte: “Assim como no Brasil, há em Dublin algumas academias com professores brasileiros ensinando a luta. Não esperava encontrar outros apaixonados lá também!”


Laís Alves (AgênciaJor/Uniso)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Muito além da música

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Júlio Bataiote, o Zorel, professor de história e nome importante da cena roqueira da região, fala sobre como a ideologia punk surgiu em sua vida, de religião, lecionar e vegetarianismo 

“Cara, aceita chá?” É com essa singela pergunta que sou recebido na cozinha da casa do músico e professor de história Júlio Cezar Bataiote. Poucas pessoas conhecem Júlio por seu nome de batismo. Zorel, apelido que ganhou num campeonato de skate por ser muito parecido com um participante que se chamava assim, pegou e é por essa alcunha que ele atende. 

Zorel é figura carimbada dentro da cena punk de Sorocaba e região, mas não é só isso. Já gravou e tocou com várias bandas, organiza shows, esteve em turnê pela Europa com a banda paulistana ‘Execradores’ e se define como anarquista, vegetariano e ateu. 

Primeiro contato - É em 1988, aos 12 anos de idade que, influenciado por sua prima Mariana, Zorel começa a entrar em contato com o punk, estilo musical bastante politizado que defende em suas letras a abolição da hierarquia, do corporativismo comercial parasitário e a liberdade de cada ser o que quiser ser e, por que não, a diversão, entre outras coisas. Ramones, Sex Pistols, Cólera e Ratos de Porão foram as primeiras bandas a lhe fascinar. Mas, como ele conta, foi a batida alucinante do ritmo que o fisgou a princípio. “Eu comecei a curtir como música, independentemente de questões relacionadas à política, até porque eu era muito novo.” 

Zorel explica que seu envolvimento político e ideológico começa a partir de 1992, quando conhece várias pessoas ligadas ao movimento. Pelo grupo circulavam livros anarquistas como Utopia e Paixão (Roberto Freire), Textos Escolhidos (Leon Tolstoi) e O que é Anarquismo (Caio Túlio Costa). Poucos meses depois estava fundado o Movimento Consciência Punk de Sorocaba (MCPS). 

O primeiro evento organizado por eles foi um protesto contra o carnaval. Depois disso, nasceram as primeiras bandas do círculo de amigos de que o hoje professor fazia parte. “Nós ensaiávamos todos os sábados em Brigadeiro Tobias, na casa do Cleiner [integrante do grupo]”. ‘Sobreviventes da Katastrofe’ e ‘Fator HC’ são algumas dessas bandas. É a partir desses esforços iniciais que eles criam o fanzine [revista artesanal de baixo custo] ‘Coluna Punk’, que tinha como objetivo difundir ideias do grupo, entre outras coisas. 

Para Zorel, 1994 é um ano decisivo. Foi quando teve a oportunidade de assistir o show da banda Ramones, em São Paulo. É nessa apresentação que ele começa a ter um contato maior com pessoas de fora da região de Sorocaba. Principalmente pessoas de São Paulo e ABC Paulista, além de punks de outros países. 

“Faça você mesmo” - Depois do gole de chá gelado para hidratar as cordas vocais, Zorel fala sobre o momento em que começa a se corresponder por carta (sim, aquelas de papel que são colocadas no correio) com pessoas da Colômbia e Finlândia. É quando o pilar fundamental do movimento punk, o “Faça Você Mesmo” [conceito que, como o nome sugere, prega a independência financeira e artística de bandas] ganha corpo. “Em 1996, começo a participar do “Faça Você Mesmo” de forma mais efetiva, os primeiros contatos foram com pessoas da Colômbia e o ‘Força Macabra’, banda da Finlândia que canta em português”. 

Paralelo a isso é lançada uma coletânea chamada ‘SP Punk’ que conta com duas bandas de Sorocaba, ‘Anarphabetos’ e ‘Por que?’. Esta última contando no vocal e guitarra com Raul Marcelo, ele mesmo, vereador por duas vezes, deputado estadual e candidato derrotado à prefeitura de Sorocaba pelo PSOL nas últimas eleições. 

Essa intensa troca de informações com punks de diversos lugares faz com que ele receba e envie muito material, principalmente discos. O contato com selos [pequenas gravadoras] se estreita e no mesmo período, em 1999, é convidado para tocar bateria na banda paulistana ‘Execradores’. Em 2000, eles saem em turnê pela Europa. 

Em abril de 2000, junto com a banda ‘Amor, Protesto e Ódio’, eles chegam ao velho continente para uma estadia de 35 dias e, simplesmente, 31 shows em 10 países. Holanda, Bélgica, Alemanha, Áustria, Suíça e Eslovênia são alguns deles. O contato todos estes estrangeiros constrói uma rede de troca de experiências. A ponte Sorocaba/Europa estava estabelecida. A cena do interior paulista ganha uma cidade referência e o número de shows internacionais é cada vez maior. Outro reflexo é o nascimento de vários grupos na região, como enaltece Zorel: “As bandas de fora que vinham tocar no Brasil passavam obrigatoriamente por Sorocaba, acabou virando rota”. 

Já em 2002, quando os olhos dos brasileiros estão voltados à Copa do Mundo Japão/Coréia, o ‘Execradores’ volta à Europa. Desta vez, são dois meses de turnê e 55 apresentações, passando por 14 países. 

Fazer tudo isso sem o patrocínio de grandes gravadoras ou sem ter nascido rico é uma conquista no mínimo respeitável. Eles não deviam, nem devem, nada a ninguém. 

Sobre lecionar - Final dos anos 90, um jovem anda de bicicleta pelas ruas da cidade a trabalho. Ele é funcionário de uma empresa de telemensagens GLS [gays, lésbicas e simpatizantes, à época] e seu dever era cobrar os clientes de porta em porta. Essa ocupação incomum foi uma das primeiras profissões de Zorel antes de se tornar professor. Os postos de office-boy e balconista de uma das lanchonetes da Universidade de Sorocaba também estão inscritos em sua carteira de trabalho. Foi trabalhando na universidade que ele começa a interagir com estudantes de uma forma mais experiente e isenta do que quando era, ele também, estudante. Influenciado por esse convívio, por amigos e por um professor do ensino médio, decide estudar História: “Tive um professor de História no ensino médio que tinha um modelo de aula diferente e ideias de esquerda, isso me estimulou.” 

Seu objetivo era entrar no “sistema” para tentar semear entre seus alunos as ideias em que acredita. A relativa autonomia que um educador tem também foi fundamental na escolha dessa profissão. “Tem um caráter ideológico, porque se fosse só pela questão financeira eu já estaria fazendo outra coisa”. Sua postura com relação a determinados temas já se transformaram em problemas em uma escola pela qual passou, é em função disso que jamais revela o partido político, o time que torce e nem a que religião segue em sala de aula. Já deu aula escolas do Estado, escolas particulares, em presídios, Ongs e etc. 

“Deus não existe” - Bakunin, filósofo e sociólogo russo, expoente do anarquismo, acreditava que Deus era o Estado. Uma instituição absoluta que quer aumentar, crescer, conquistar. Uma organização da força. É influenciado pelas palavras do teórico que Zorel se define como ateu. Existem outros motivos como, por exemplo, a frase “é porque Deus quer”, dita por seus familiares para explicar qualquer dificuldade pela qual passassem. Para ele, Deus não tinha nada a ver com aquela situação e sequer existe. 

Dentro do movimento punk, a religião raramente é pautada e se recebe todos os tipos de crenças no meio, sem distinção. Zorel já foi defensor obstinado do ateísmo. Discutia, promovia o tema e vestia uma camiseta com as palavras “Deus não existe”. Talvez mais maduro e para não ‘chocar tanto o lar’, ele admite que atualmente esse tipo de preocupação foi deixada de lado: “Hoje eu não me importo nem um pouco se Deus existe ou não”. 

Vegetarianismo - Há 12 anos, quando trabalhava na lanchonete da Universidade de Sorocaba. Era domingo e fazia quase 40 graus. Para piorar, a Universidade recebia centenas de o vestibular da Fuvest. Ao meiodia, todos foram almoçar numa churrascaria ali perto. Lá, Zorel observava todos aqueles “estudantes burgueses” atacando a carne de forma selvagem em um “banquete nefasto”. Rapidamente percebeu que compartilhava e fazia parte de tudo aquilo. Inevitavelmente seu estômago começou a pesar por causa da carne, assim como sua consciência. Passou o dia todo muito mal. Quando chegou em casa refletiu sobre o assunto e sobre as questões político-ideológicas envolvidas nele. Concluiu o seguinte: “Eu não faço parte disso”. A partir do dia seguinte, nunca mais comeu carne. 

Ficou bem claro que a opção pelo vegetarianismo é fundamentada numa questão política e ética. Atualmente, declara que esses hábitos alimentares estão mais próximos ao que se costuma chamar de veganismo. Ou seja, a restrição não é apenas à carne, mas também à ovos, leite, couro, cosméticos e etc., tudo que derive direta ou indiretamente de animais e seu sacrifício. 

Cenário atual - Zorel me mostra sua coleção de discos com entusiasmo e atenção. Entre vinis, CDs e fitas cassete encontram-se bandas dos quatro cantos do mundo. Israel, Malásia, Eslovênia, Macedônia e Nepal, fora os nacionais, lançados por ele mesmo. Em seguida a conversa toma o rumo do cenário atual. Ele considera que o sentimento e a proposta punk do “Faça Você Mesmo” simplesmente estão morrendo. A preocupação coletiva não existe mais, o que importa agora é quantos amigos as pessoas têm nas redes sociais. Quando o assunto é a nova geração, o pessimismo é ainda maior. Com o tom de voz elevado, ele reclama do desinteresse dos mais novos. “A molecada diz coisas que não viveram e sem a preocupação de pesquisar direito o assunto. Eles arrotam na sua cara verdades absolutas, com uma arrogância absurda e apoiada numa ignorância extrema”. 

Aos 35 anos, Zorel se orgulha do passado, do presente e do que ainda pode ser feito pelo punk.

Cds, vinis quadrados e capas artesanais compõem a coleção do músico


Wemerson Araújo (AgênciaJor/Uniso)

quarta-feira, 15 de maio de 2013

É preciso saber envelhecer

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Aumento da expectativa de vida traz nova forma de encarar a maturidade do corpo e da alma 

O tempo, ai, passa para todos. Às vezes, sorrateiro feito o tiquetaquear irreprimível de um relógio qualquer. Em outras, ele, o tempo, se mostra mais concretamente, como na constatação resignada da incapacidade de realizar determinados movimentos com o corpo ou no exercício desesperançado de tentar se lembrar de datas importantes, eventos da vida, pessoas, lugares. Afinal, quem foi mesmo que me deu essa toalha de mesa? Somos crianças, depois adolescentes, adultos e, de repente, pronto: envelhecemos! Tuas rugas não negam, mulata.

Porém, entre a idade cronológica e a “idade do espírito” - ou seja, o modo como a pessoa vê e sente a si mesmo - pode haver uma grande diferença, e cada um pode encontrar a sua maneira de se sentir mais jovem. Em sua obra “Saber Envelhecer”, o filósofo romano Cícero (44 a.C.) defende que a velhice é algo inevitável e que, por isso, devemos aceitá-la; não negar nem desejar que venha antes da hora. Para viver essa fase da melhor maneira possível, ele aconselha cuidados com a saúde, além da busca, aquisição e transmissão de conhecimentos.

Cabelos brancos contra o vento - O aposentado Manoel Vasques, 64, se sente jovem e assim é percebido pelos seus familiares e amigos. Desde que se aposentou, em 2012, tem realizado planos que antes não eram possíveis devido à rotina e ao excesso de trabalho. A liberdade que veio com a aposentadoria colaborou para a sensação de jovialidade: “Fiquei um pouco preocupado antes de me aposentar, pois não sabia como eu reagiria. Tive medo de me sentir velho e inútil, porém descobri que é possível se aposentar e, ainda assim, se sentir bem.”

Manoel comprou a caminhonete de seus sonhos e conta que tem viajado bastante: “Só nesse ano já fui para Camboriú, Campos do Jordão, Caldas Novas, em Goiás, Fortaleza, Termas dos Laranjais, em Olímpia, e ainda vou para Salvador.” Ele afirma que, entre uma viagem e outra, ainda insere uma pescaria em algum local perto da cidade no roteiro: “Estou curtindo a vida!”

Ter compromissos sociais regulares também é um dos métodos utilizados pelo aposentado para sentir-se mais jovem de espírito. Ele e a esposa frequentam semanalmente reuniões para casais em uma igreja católica da cidade: “Sou visto como uma pessoa ativa e com desejo de realizações. Realmente, é assim que eu me sinto.”

Manequim de dezoito - Já a estratégia de Gilsemara Almenara, 45, para se sentir mais nova é outra: ela aposta no visual. A educadora adora usar roupas mais “moderninhas”, como diriam as vovós de algum tempo. Vestidos justos e saias curtas fazem parte do guarda-roupa da mulher, que conta ser comum atribuírem a ela menos idade que a indicada em seu RG. “Mas a intenção não é só essa. Me cuido porque quero estar bonita e acabo parecendo mais nova. Confesso que algumas vezes me sinto mal, parece que exagero. Tenho procurado não cometer excessos, mas meus olhos brilham quando vejo uma roupinha engraçadinha!”, brinca ela com o próprio estilo.

“Não chego ao ponto de viver de cirurgias plásticas, mas amo um creme, uma massagem, cuidados com o cabelo, roupas e acessórios.” Mas Gilsemara diz que não foi sempre assim. “Já tive fases na vida em que nem lembrava que tinha corpo ou alma, devido ao trabalho corrido, minha mãe doente, enfim, várias situações que não permitiam que eu pudesse ter tempo de me ver. Se você visse uma foto minha de anos atrás, com certeza vai me achar mais velha.”

Bastante vaidosa, ela afirma não ter medo de envelhecer. “Quero ver a beleza de cada idade e tirar o melhor proveito de cada uma delas.” Acredita também que o fator fundamental para lidar com o envelhecimento é encarar a vida de maneira leve. “Não estou querendo fugir do fato de que gosto de parecer mais nova, mas brinco muito, me divirto, principalmente, comigo mesma, rindo das minhas trapalhadas, que são muitas, e acredito que as atividades físicas que pratico colaboram para o meu bom humor.”

Deixe que digam - Para a psicóloga Bianca Pichiguelli, em cada fase da vida há vantagens a serem aproveitadas. Na maturidade, talvez, a maior vantagem seja a liberdade. “Quem tem mais de 40 anos, geralmente tem mais consciência do que quer e do que não quer para si, não se sente na obrigação de ser o que não é nem de dar satisfações de seus atos”, explica. Ainda segundo a especialista, há um forte apelo da mídia para que as pessoas nessa idade sejam ativas, frequentem clubes e façam exercícios. Porém, como a liberdade é uma das maiores vantagens dessa idade, as pessoas podem optar por serem ou não ativas e, se estiverem felizes do modo como vivem, não há problema algum.

Gilsemara exibe um de seus modelos favoritos. Foto: Arquivo pessoal

Manoel Vasques, 64, em terminal de bondes em Camboriú. Foto: Arquivo pessoal


Lilian Casares (AgênciaJor/Uniso)

terça-feira, 14 de maio de 2013

FREE BIKERS
Amizade que rasga o asfalto

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Vento soprando contra jaquetas de couro. Uma sensação de se estar, ainda que pelo efêmero tempo de uma viagem, vencendo os limites impostos pela gravidade e pela distância. Duas rodas que não podem parar de rodar, porque parar significaria a queda, sugerem uma filosofia que pode ser aplicada à própria existência. Equilibrada sobre elas, uma legião trajada, sobretudo de preto, incógnita sob capacetes, cruza estradas de Sorocaba e de cidades e estados vizinhos como um cortejo que não desembocará em um enterro, mas sim no descerramento gradativo da fugidia significação da própria vida. Porque o mais importante para eles não é, certamente, o lugar onde se pretende chegar, mas o espetáculo bruto do caminho que conduz até lá e a diversidade de situações, paisagens, matizes de sons e emoções que ele pode provocar.

Desbravar, conhecer. Ser, simultaneamente, espectador e personagem. Fazer parte da paisagem e alterá-la humildemente, com o ronco estridente dos motores em paradoxo. Sentimento que pode ser resumido, mas nunca reduzido, em uma palavra que motociclistas conhecem para além dos dicionários: liberdade.

Lema - “Liberdade é, sem dúvida, um sentimento intrínseco a passear de moto”, diz Antônio Valdir, o Totó, 45, um dos diretores do tradicional moto clube ‘Free Bikers’, fundada em 1996, e que conta atualmente com 303 integrantes, entre homens e mulheres. Amizade e solidariedade completam a trinca de aspirações inscritas no lema em que se baseia o clube. “Amizade pelo espírito de contar com amigos e companheiros que gostam de uma mesma coisa e que dividem momentos bons e ruins ao lado de suas motos. Solidariedade, porque rotineiramente ajudamos entidades beneficentes e de pessoas necessitadas”, completa.

Desordeiros e outros rótulos - Criaram-se, ao longo da história social, vários mitos acerca da índole e conduta de ‘motociclistas em bando’. Como se um meio de se locomover pudesse servir de indício para algum crime ou o incentivasse, boa parte da sociedade torce o nariz aos que estão atrás de guidões. Para Totó, uma porção considerável destes rótulos pouco lisonjeiros deve-se à atitude de alguns motociclistas que assimilam erroneamente o espírito de grupo de um moto clube, usando-o o para práticas ilícitas e violentas. “O preconceito existe devido a alguns grupos que gostam de demonstrar que são maus e, até mesmo, devido ao fato de estar em grupo, abusarem de violência, intimidando os mais frágeis.”

Já com a polícia, o relacionamento, segundo ele, é bom. “Nosso relacionamento com a polícia é dos mais sérios e estreitos, pois todos nós respeitamos as regras de segurança e não temos medo de sermos fiscalizados. Ao contrário, gostamos quando somos fiscalizados.”

Embora aparentemente despreocupados e passageiros como pássaros que não podem ser domesticados, os motociclistas do ‘Free Bikers’ são exemplos reais de que, independente da atividade que se desenvolva, ela precisa estar pautada em valores sólidos. E, desde que haja paixão, supera-se os obstáculos invisíveis impostos pela moralidade corrente.

Paixão reunida - “Começou em uma reunião de um grupo de amigos motociclistas aficionados por belas motos e cujos espíritos integravam-se em um sonho único de liberdade. Formou-se então uma entidade beneficente, sem fins lucrativos e sem mensalidade. No entanto, realizando campanhas de solidariedade que consistem na arrecadação de uma cesta básica por integrante a cada três meses, que são direcionadas para entidades carentes de Sorocaba e região. Hoje é um dos maiores moto clubes do Brasil em uma única cidade!”, orgulha-se o também bombeiro Totó, e relembra: “Aprendi um ensinamento com meu pai que, para começar a ter respeito com uma moto, você tem que comprar a sua, e não ganhar. Minha primeira moto foi uma Vespa.”, referindo-se à popularíssima e charmosa motocicleta que fez a cabeça de muita gente entre os anos 50 e 60. ]

“A moto para mim é um brinquedo de criança, mas que cuido com muito respeito e admiração, especialmente, no tocante às regras de segurança e respeito ao trânsito. Significa momentos de paz, diversão, lazer, amizade, companheirismo e muita emoção. Prazer que só quem realmente gosta entende o que estou falando, pois a sensação de ‘rasgar o asfalto’ é única”.

Confraternização - São inúmeros os eventos promovidos pelo ‘Free Bikers’, todos com o intuito de unir ainda mais o grupo e torná-lo conhecido. “O motoclube também está sempre presente nos eventos organizados por outros motoclubes. Além das viagens aos sábados, também organizamos passeios em finais de semanas específicos para curtir com as esposas, além de reuniões mensais com as famílias. Esse passeio familiar ocorre em um domingo de cada mês, o qual chamamos de ‘Domingo Feliz’, onde ocorre um passeio motociclístico e um almoço de confraternização entre as famílias”, conta o diretor.

Para um motociclista interessado em ingressar no moto clube, há algumas regras primordiais. “Para entrar, basta ser apresentado, seguir o lema e as regras de segurança nos passeios e cumprir os princípios básicos do moto clube”. A associação com outros motoclubes também passa pelo crivo ideológico da diretoria do ‘Free Bikers’, que não vê a motocicleta como plataforma política, mas sim como símbolo de uma paixão instintiva, assim diz Totó. “Se forem clubes filantrópicos serão sempre bem vindos, mas se forem de reivindicações, movimentos sociais ou políticos, entendo que estão usando uma paixão para conseguir outros objetivos.”

Ele não titubeia e é enfático na resposta que define o sentimento que o move e move o motoclube que dirige, dada em uma única palavra: “Amizade!”



Lucas Montenegro (AgênciaJor/Uniso)

segunda-feira, 13 de maio de 2013

TEATRO DE RUA
Espetáculos movimentam cidades

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A 3ª Feira de Teatro de Rua movimentou Sorocaba e Votorantim, entre 6 e 11 de maio. Foram 15 espetáculos e quatro atividades paralelas produzidas por artistas da região, reunindo mais de mil pessoas por apresentação. O encerramento foi marcado pelo show com João Bid, cantor e compositor de Sorocaba, no espaço Trupé de Teatro, no Centro de Sorocaba. 

Segundo o coordenador da feira, Samir Jaime, a interação dos espetáculos com o público foi ótima, pois as apresentações atraíram muitas pessoas. “Foi um sucesso, conseguimos atrair um publico diferente do que o teatro de rua costuma reunir, como trabalhadores e estudantes. Muitas pessoas vieram exclusivamente para assistir às peças. 

Em Votorantim, um grupo de crianças da Vila Nova acompanhou o último de dia de apresentações. Para as mães, que acompanharam as crianças, a oportunidade faz com que filhos se aproximem da arte e da cultura.

Espetáculo - Com instrumentos musicais, bonecos, barulho e muita diversão, os grupos teatrais abordam os problemas sociais do povo, como os acontecimentos na política, o salário baixo do professor e até mesmo o preconceito em diversos ângulos, de forma cômica. 

Conforme o grupo de teatro de rua, Nativos Terra Rasgada, organizador do evento, o que os levou a dar o nome de feira ao invés de festival como é de costume no mundo todo, foi questões históricas da cidade. Como a Feira de Muares, que no século 18 tinha como principal propósito o comércio das mulas e jumentos, e sua principal característica era a troca.

”Se antes vinham tropas para nossa cidade, hoje, vêm artistas. Se antes a troca era material, hoje será cultural. Assim, nós, como cidadãos, nos vemos como agentes na formação e na informação das pessoas sobre suas origens culturais”, afirma Rodrigo Zanetti, um dos integrantes do grupo. 

O objetivo da feira é reavivar no povo sorocabano as tradições que auxiliaram a formação da identidade cultural de cada um e aproximá-los da arte com facilidade de acesso. Afinal não existe publico alvo e nem faixa etária para esses espectadores, já que esse público pode ser a senhora que está indo ao banco pagar contas, o cara que esta fazendo compras no centro, a moça que acabou de sair do trabalho ou apenas a pessoa que esta passando pelo local. 

Além da paixão pela arte e a relação dos assuntos sociais que abordam em seus espetáculos, os grupos teatrais de rua compartilham uma tradição: A passagem do chapéu, que acontece ao finalizar a peça. Eles passam um chapéu para que o público contribua com quanto puder, e por trás dessa argumentação existe ainda uma explicação. Para o grupo, essa é uma prática costumeira que evidência uma tradição do artista de rua, além de ajudar a fomentar os artistas que realmente necessitam da contribuição popular para sobreviver. 


Amanda Camargo (AgênciaJor/Uniso)